21/06/2017

Rosely Cruz, nossa sócia-fundadora, é destaque na revista portuguesa Liderança do Feminino

Fonte: Liderança do Feminino

Rosely Cruz hoje é uma mulher de sucesso mas desde cedo começou a trabalhar para isso. Afirma-se como uma defensora dos Direitos da Mulher e transporta a sua vida e o seu trabalho para a causa que acredita estar esquecida em pleno século XXI no Brasil assim como no resto do mundo. É socia-fundadora do Rosely Cruz Sociedade de Advogados by “neolaw” mas esta é apenas uma das imensas coisas a que se dedica. A própria diz que tudo na vida é possível e aconselha as mulheres a tomarem, também, as rédeas das suas próprias vidas. Conheça a história e as motivações deste exemplo de simplicidade e de luta.

Apresenta-se como empreendedora, empresária, investidora anjo, advogada e pianista. Que palavras a definem? Teve modelos de empreendedorismo na família?
Acredito que as características que me definem são: sonhadora, determinada, apaixonada, resiliente, atrevida, destemida, “do bem”, inovadora, flexível e acelerada.
Não tive modelos de empreendedorismo na família; mas posso contar um episódio que está descrito no meu livro “Empreendedoras por Natureza”, lançado no mês internacional da mulher, março, cujo prefácio é da grande jornalista brasileira Ana Paula Padrão. No verão de 1982, recebi do irmão mais novo, Alexandre, uma proposta desafiadora: produzir em casa chupa-chupas, uma guloseima muito popular em Campinas, onde morava, e vendê-los nas ruas da vizinhança. Animada com a oportunidade de ganhar um dinheirinho extra com a gelataria caseira e reforçar a mesada paterna, partimos para a ação. Afinal, em teoria, o negócio não tinha como correr mal, sobretudo numa cidade conhecida pela temperatura escaldante. Mas não deu certo! Não foi pela falta de qualidade do produto mas devido a um “pequeno” descuido na logística. “Colocamos os chupa-chupas numa cesta, sem qualquer tipo de refrigeração e quando demos conta, estava tudo derretido antes de percorrermos o primeiro quarteirão. A despeito deste primeiro fracasso, a experiência mal sucedida trouxe uma certeza: descobri, desde pequena, que um dia seria uma empreendedora. E um ensinamento: antecipar barreiras associado a um planeamento adequado é a chave para o êxito de qualquer projeto, do mais simples ao mais complexo.

Formou-se em Direito, o que ambicionava quando terminou o curso?
Sempre acreditei – e acredito! – na assertiva e bela frase de Nelson Mandela: “A educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo.” Apesar de não ter escolhido ser professora (uma das profissões que mais admiro), outra arma poderosa é a justiça, o justo e o acesso a ela. Neste contexto, idealizei fazer a diferença no mundo (ter ideias, criar, construir, vencer…), tornando possível o acesso à justiça, procurando dar o meu melhor e trazer o resultado aos clientes, o que implica o meu próprio sucesso.
Hoje acrescento que deve haver inovação e menos disrutura no mundo jurídico. Razões pelas quais estou, com os meus sócios, a desenvolver o Golaw, uma plataforma que trabalha com inteligência artificial aplicada ao Direito.

Assume-se como defensora de causas como empreendedorismo e igualdade de género. Que exemplos pode citar-nos sobre o seu envolvimento na defesa pelos Direitos da Mulher?
Empoderar é retomar o poder. Significa que qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode ter controlo da própria vida, definir metas, adquirir habilidades e agir. Ao tomarmos o poder, tornamo-nos as nossas próprias ativistas – ao indagar sobre a cultura da violação, ao atuar contra injustiças que afetam as mulheres, ao parar de classificar a mulher pela roupa ou pelo status de relacionamento. Empoderadas, protegemo-nos umas às outras.
Neste contexto, cito os seguintes exemplos: sou palestrante na Rede Mulher Empreendedora e procuro dar inspiração às mulheres empreendedoras e mentoring individual e coletivo para mulheres e para os seus negócios, além de participar do MIA (Mulheres Investidoras Anjo) e, pro-bono ajudando mulheres juridicamente em distintas causas (uma delas – e muito sensível – foi quando uma senhora teve a filha presa noutro país por transportar drogas – ela tinha sido “mula” de traficantes).
Destaco a minha participação na distinta banca examinadora do programa global do banco de investimentos Goldman Sachs e da Goldman Sachs Foundation, chamada ‘10.000 Mulheres’, o qual proporciona educação em administração e gestão de negócios a mulheres empreendedoras, com o propósito de ajudar a melhorar a qualidade da educação empresarial nos países em desenvolvimento. Como parte da iniciativa, a reconhecida instituição de ensino brasileira, a FGV – EAESP oferece um programa que proporciona às empreendedoras participantes os conhecimentos e ferramentas necessários para que elas tenham sucesso no competitivo mercado global. Projetado em parceria com a Babson College, a mais importante escola de empreendedorismo dos Estados Unidos.
Finalmente, gostaria de dizer que acabei de lançar um livro sobre a minha história e da Ana Fontes, um ícone das causas de empreendedorismo feminino (fundadora da Rede Mulher Empreendedora). Trata- -se de uma coleção com duas mulheres empreendedoras por livro, a cada ano, num total de cinco volumes, onde contam as suas histórias de sucesso. Seria uma das formas de empoderar as mulheres; de dizer que não importa o ramo do negócio, o estado civil, ou a idade para empreender. Acredito que é possível empreender e a ideia é disseminar essa atitude!

Que análise faz sobre o empoderamento feminino no Brasil? Será um tema que, embora cada vez mais trazido para a opinião pública, é ainda exíguo?
Embora os avanços sejam inegáveis, ainda há um grande abismo que separa mulheres e os homens de caminharem no mesmo patamar em aspetos profissionais, financeiros e sociais. Para elucidar a desigualdade que ainda persiste e, ao mesmo tempo, mostrar como a procura pelos direitos femininos tem vindo a ganhar peso entre mulheres e homens em toda a sociedade, cito pesquisas que revelam dados com um panorama da questão no Brasil e no mundo.
A Ipsos inquiriu pessoas de 24 países para elaborar o relatório Global Advisor, focado nos temas do feminismo e de igualdade de género. Os resultados mostraram que a situação das brasileiras é preocupante: 41% das entrevistadas no país confessaram terem medo de se expressar e de lutar pelos seus direitos. Esta percentagem é bem maior que a média global, que ficou em 26%. As mulheres do Brasil ficaram apenas atrás das indianas (as mais receosas em defender os seus direitos, com 54%) e das turcas (47%).
Apesar de estarmos na segunda década do século XXI, ainda há, pelo mundo inteiro, pessoas que acreditam que as mulheres são inferiores aos homens. No Brasil, 19% dos homens acredita na inferioridade feminina – e algumas mulheres concordam com eles. Segundo a pesquisa da Ipsos, 14% das entrevistadas mulheres disseram que se consideram inferiores aos homens. Na média, a percentagem geral (homens e mulheres) que concordaram com a questão no Brasil foi de 16%. No mundo, essa fatia foi de 18%. Entre os entrevistados pela pesquisa em todo o mundo, 17% disseram que a mulher não deveria trabalhar fora de casa para poder cuidar unicamente da casa e da família. No Brasil, o índice de pessoas que aprovam esta ideia foi um pouco mais baixa: 15%. A pesquisa da Ipsos foi realizada entre 20 de janeiro e 3 de fevereiro de 2017 e feita a 17.551 pessoas entre os 18 e os 64 anos, em 24 países.
Em termos de equidade no mercado de trabalho, a posição de homens e mulheres ainda é diferente. De acordo com a pesquisa realizada pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), realizada com 350 executivos (homens e mulheres) de empresas do Brasil, 76% das organizações ainda não trata funcionários e funcionárias com as mesmas condições. Para 80% dos entrevistados, o sinal mais claro desta desigualdade é a baixa presença de mulheres em cargos de liderança.
Ainda segundo a pesquisa da Amcham, 47% dos gestores acreditam que igualar os salários deve ser a maneira mais correta de promover equidade de género nos seus quadros. O facto de conciliar a carreira profissional com a maternidade e responsabilidades domésticas ainda é, na opinião dos entrevistados, o principal fator que impede as mulheres de chegarem mais longe em termos profissionais. Para 86%, o papel cultural de dona de casa faz com que muitas mulheres abandonem a carreira por não conseguirem conciliar as duas tarefas.
Apesar de reconhecerem esses problemas, os gestores brasileiros ainda fazem pouco, na prática, para tentar corrigi-lo. Segundo a pesquisa, 52% dos entrevistados declararam não ter, nas suas empresas, programas formais de valorização feminina e de combate à desigualdade de género.
A grande maioria dos entrevistados no mundo inteiro está consciente da desigualdade existente entre os dois géneros. Globalmente, 72% dos entrevistados disseram que existe desigualdade em termos de direitos sociais, políticos e económicos para as mulheres. No Brasil, a diferença é entendida por 78% das pessoas. O país que menos acredita na desigualdade de género é a Rússia, onde 42% dos entrevistados declararam que existem diferenças sociais e de direitos entre homens e mulheres.
Então, devemos continuar a apostar fortemente no empoderamento das mulheres para mudar estes números. Em síntese, com o empoderamento dar- -se-á a construção de redes sociais, o exercício do poder em prol de outras mulheres, promoção da inclusão profissional e social, criação de oportunidades por via de relacionamentos discursivos com homens, trabalho na questão da inovação social e inclusão social nos processos de inovação social, aumento da confiança e autoestima, construir uma vida melhor para as famílias, trabalho para legitimar as desigualdades envolvidas no capitalismo competitivo, formação de uma comunidade feminina destinada a reduzir a pobreza, incentivo às atividades empresariais femininas, e, acima de tudo, que as mulheres conquistem o seu espaço e alcancem o seu potencial máximo para conquistar a capacidade de tomada de decisão.

Enquanto mulher e profissional houve momentos na sua carreira em que se sentiu discriminada? Como contornou a questão?
Uma vez, apresentei-me a uma pessoa que veio ao meu escritório e que me disse: “é melhor aguardar pelo seu sócio”. Acho que a questão se prende na forma de como as mulheres reagem depois de situações como esta. No meu caso, simplesmente sorri e disse: “nós não precisamos dele. Sou a sócia- -fundadora. Faço questão de fazê-lo brilhar e ao ter sucesso celebraremos juntos”.

Quais são as qualidades que destaca como essenciais para se ser uma empreendedora de sucesso?
Saber se ela está disposta a viver, a percorrer o caminho; a vivenciar um turbilhão de verbos dentro dos quais destaco: motivar, criar, liberar, cair, levantar, rir, resilir, planear, realizar, abraçar, vibrar, atrever, ousar, seduzir, chorar, comover e vencer.

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