19/10/2017

Em artigo para a Revista da Câmara Portuguesa, nossa sócia-fundadora, Rosely Cruz, fala sobre o empoderamento feminino através do empreendedorismo

Fonte: Revista da Câmara Portuguesa

O próprio dicionário nos dá uma definição do que é empreender: decidir realizar (tarefa difícil e trabalhosa); “é uma travessia arriscada”. Ou ainda: se relaciona à atitude de inovar, de se dedicar integralmente e transformar ideias em realidade.
É assim que funciona, mesmo nas pequenas competências: desde decidir por fazer uma reforma de casa, escolher um curso e/ou quando optamos por mudar nossas vidas e ir para outro país.
O empreendedor vive em uma linha tênue entre competência e riscos. É uma pessoa inquieta que vê oportunidades em cada conversa ou detalhe que observa. Ele busca criar algo com valor, assumir para si os riscos do que se propõe a ofertar.
Dificilmente um empreendedor sobrevive sem a inquietação de buscar o relevante, o diferente. A cada dia ele procura se aperfeiçoar naquilo que faz, trazer novidade, entender seu público e, principalmente, se conectar. Às vezes pode até lhe faltar conhecimento técnico, mas a criatividade e a vontade de colocar em prática acabam contornando esses obstáculos.
Para o empreendedorismo, não é preciso apenas saber fazer, mas também produzir algo com valia para o usuário, que agregue. É preciso saber pensar diferente e, principalmente, ter iniciativa. O verdadeiro empreendedor traduz os desejos e ideias em ações atitudes. Foi o espírito da não acomodação que tirou o homem das cavernas, o levou aos arranha-céus e que permitiu que ele voasse mais alto e rápido que os pássaros.
Qualquer mulher, em qualquer lugar, pode ter controle da própria vida, definir metas, adquirir habilidades e agir, transformando ideias em ações empreendendo. Ao tomarmos o poder, tornamo-nos as nossas próprias ativistas. Devemos, sim, empreender indagando sobre a cultura da violação atuando contra injustiças que afetam as mulheres, parando de classificar a mulher pela roupa, pelo status de relacionamento, etc. Portanto, estamos diante da cultura do empoderamento feminino que necessita expandir.
Embora os avanços em relação ao empoderamento feminino no Brasil sejam inegáveis, ainda há um grande abismo que separa mulheres e homens de caminharem no mesmo patamar em aspectos profissionais, financeiros e sociais. Para ficar ainda mais claro esse abismo, cito pesquisas que revelam dados com um panorama da questão no Brasil e no mundo. A Ipsos inquiriu pessoas de 24 países para elaborar o relatório Global Advisor, focado nos temas do feminismo e de igualdade de gênero. Os resultados mostraram que a situação das brasileiras é preocupante: 41% das entrevistadas no país confessaram ter medo de se expressar e de lutar pelos seus direitos. Esta porcentagem é bem maior que a média global, que ficou em 26%.
Com efeito, um estudo realizado pela Serasa Experian revela que o Brasil possui 5.693.694 mulheres empreendedoras, representando 8% da população feminina do país. Isso significa que 43% dos donos de negócio no país são do sexo feminino, e 57% são homens. Do total das empresas ativas no Brasil, 30% têm mulheres como sócias. Segundo a Mosaic Brasil, 59% das empreendedoras estão no grupo “Donos de Negócios”, que engloba pequenos e médios empresários, e 11% estão no grupo “Elites Brasileiras”, que representa adultos acima de 30 anos, com alta escolaridade e que desfrutam de alto padrão de vida.
Do total de empreendedoras do Brasil, 73% são sócias de micro ou pequena empresas. O percentual sobe para 98,5% quando são contabilizadas, também as empresas tipo Micro Empreendedor Individual (MEI), já que mais de 1,3 milhão de mulheres brasileiras são sócias de MEI. No entanto, apenas 0,2% das mulheres empreendedoras do Brasil são sócias de grandes empresas, sendo que mais da metade delas pertence ao grupo Elites Brasileiras.
Então, devemos continuar a apostar fortemente no empoderamento das mulheres para melhorar estes números e, consequentemente, o Brasil. Em síntese, com o empoderamento, teremos: a construção de redes para fomentar os negócios (como a Rede Mulher Empreendedora); o exercício do poder em prol de outras mulheres; a promoção da inclusão profissional e social; a criação de oportunidades por via de relacionamentos discursivos com homens; o trabalho na questão da inovação social e a inclusão social nos processos de inovação social; o aumento da confiança e autoestima; a construção de uma vida melhor para as famílias/ o trabalho para legitimar as desigualdades envolvidas no capitalismo competitivo; a formação de uma comunidade feminina destinada a reduzir a pobreza; e o incentivo às atividades empresas femininas.
E, acima de tudo, que as mulheres conquistem o seu espaço e alcancem seu potencial máximo para conquistar a capacidade de tomada de decisão.

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